Retrospectiva pessoal
Revisitar um ano usando o seu próprio padrão como lente — o fio que atravessa os episódios soltos, o que você chamou de falta de tempo e era outra coisa, e a única coisa que vale carregar adiante.
Quando usar
Serve em fim de ano, em aniversário, no fim de um emprego ou de uma relação: qualquer marco que dê vontade de fazer balanço. O que ele acrescenta a um balanço comum é a lente — o padrão do seu resultado aplicado a episódios que você contaria como desconexos.
A instrução para você é escrever solto: episódios, sem arrumar. A tarefa de achar o fio é da IA, e ela funciona pior quando você já entrega o fio pronto.
O que colar
- ◆No primeiro colchete: o material do questionário. Aqui vale colar mais de um — o padrão de um ano aparece melhor cruzando o que te move com o que você valoriza.
- ◆No bloco O PERÍODO: episódios soltos, dez a quinze linhas. Datas e nomes ajudam; conclusões atrapalham.
- ◆Se você guardou uma retrospectiva do ano passado, cole junto. Comparar duas é onde aparece o que de fato mudou.
O molde
Abaixo está um material sobre mim, saído de um ou mais questionários de autoconhecimento. Eu quero revisitar um período da minha vida usando este material como lente. Ele está aqui para você trabalhar em cima, não para você me devolver. O que eu quero de você está no fim, depois do material. O MATERIAL [COLE AQUI O SEU MATERIAL: o resultado de um ou mais questionários, com a descrição do perfil por inteiro. Apague este colchete ao colar.] O PERÍODO [ESCREVA AQUI, EM DEZ OU QUINZE LINHAS: o que aconteceu no período — o que começou, o que terminou, o que você adiou, o que te surpreendeu, com quem você passou o tempo. Em episódios soltos mesmo, sem tentar dar sentido: achar o fio é o trabalho que este molde pede a quem vai ler.] O QUE ESTE MATERIAL É - O que veio do questionário é prosa fixa: foi escrita e revisada antes de eu chegar, e é a mesma para todo mundo que chega ao mesmo resultado. Ela descreve um padrão; não descreve a minha vida. - Não há nota, não há número e não há posição minha em relação a outras pessoas. Não invente nenhum: nem porcentagem, nem escala, nem comparação com quem quer que seja. Quando o material diz que algo é "alto" ou "baixo", ele fala de como as peças se arranjam dentro do próprio padrão, e não de mim contra os outros. - O caminho das minhas respostas até esse resultado é autoral do questionário que eu respondi e não passou por estudo de validação. O que é consagrado, quando há, é o modelo em que o questionário se apoia — nunca o questionário. - Se houver mais de um questionário no material, eles são independentes entre si: cada um mede o que ele mede, com regras próprias, e não há estudo que ligue o resultado de um ao de outro. Onde dois apontarem para a mesma coisa, isso não é confirmação — é a mesma pessoa respondendo duas vezes. Onde discordarem, não é erro a resolver: não escolha um dos dois, não trate o mais recente como correção do anterior, e não invente a teoria que os une. - Você não sabe o meu nome, a minha idade, o meu trabalho nem a minha história além do que está escrito aqui. - É uma leitura para pensar sobre si, não uma medida. Trate como hipótese: firme o bastante para você trabalhar em cima, frouxa o bastante para eu discordar. Se eu disser que uma parte não bate, quem cede é o texto. Nada disto substitui a conversa com um profissional de saúde, e nada disto decide nada por mim. O QUE EU QUERO DE VOCÊ Seis pontos, nesta ordem, com estes títulos, de três a seis frases cada. Sem balanço motivacional e sem fechamento bonito. A regra que vale para os seis: se uma frase sua puder ser colada de volta no material acima sem ninguém estranhar, ela está errada — apague e escreva outra. O material eu já tenho aqui na mão. Resumo, paráfrase e "pelo que você descreveu, você é uma pessoa que…" não me servem de nada. 1. O fio que atravessa o período Um só: o padrão que aparece em três episódios diferentes que eu contei como se fossem assuntos separados. Cite os três e mostre o que eles têm em comum. Se o material acima explica esse fio, diga onde; se não explica, diga que não explica. 2. Onde eu agi contra o meu próprio padrão, e o que custou Os momentos em que eu fiz o oposto do que o material descreve. Diga o que aconteceu, o que custou e — a parte útil — o que estava em jogo que fez valer a pena. Isso é mais informativo do que a coerência. 3. O que eu chamei de falta de tempo e era outra coisa Pegue o que eu adiei ou não fiz e proponha o nome verdadeiro, quando houver: medo de um resultado específico, falta de vontade que eu não admiti, uma prioridade concorrente que eu não quis nomear. Sem julgamento moral, e sem inventar quando o material não sustentar. 4. O que mudou de verdade, e como dá para saber Distinga o que mudou de circunstância do que mudou em mim. Para cada coisa que você disser que mudou, dê a prova: um comportamento concreto que existe agora e não existia antes. Sem prova, não conta. 5. A única coisa que vale carregar para o próximo ciclo Uma só, no formato "quando acontecer X, eu faço Y", pequena o bastante para sobreviver a um mês ruim. Diga por que essa e não outra, e o que eu devo notar daqui a três meses se estiver pegando. 6. A promessa de virada de ciclo que eu costumo fazer e que costuma falhar Nomeie a promessa que este padrão costuma produzir nesta hora, por que ela soa exatamente como a coisa certa a fazer, e por que ela não pega. Depois, o que fazer no lugar. COMO ESCREVER - Português do Brasil, falando direto comigo. Sem elogio e sem abertura de cortesia; comece no ponto 1. Sem resumo no fim. - Prenda cada afirmação a uma cena: uma situação, uma hora do dia, uma frase que eu provavelmente digo. Afirmação sem cena, corte. - Se uma frase servisse igualmente bem para qualquer pessoa, ela não serve para mim. Troque. - Escreva como hipótese, nunca como veredito. Onde o material não sustentar o que você ia dizer, diga que não sustenta, em vez de completar. - Se faltar informação minha, escreva o ponto assim mesmo e diga em uma linha o que você está supondo. Não interrompa a entrega para me perguntar. - Sem emoji, sem tabela, sem vocabulário clínico. Não termine com síntese inspiradora, e não me diga que eu cresci muito. Depois dos seis pontos, faça três perguntas curtas sobre o período — as que teriam mudado a sua leitura do fio. Se em algum momento eu contar alguma coisa que indique risco à minha segurança, saia deste roteiro e me diga para procurar ajuda profissional ou ligar para o CVV, 188.
Perguntas frequentes
Preciso escrever muito no bloco do período?+
Dez a quinze linhas bastam, e episódios valem mais do que reflexão. "Troquei de emprego em março, briguei com meu irmão em julho, não terminei o curso" rende mais do que "foi um ano de muitos aprendizados".
Serve para outro recorte que não o ano?+
Serve. Troque a palavra no bloco de contexto: os últimos três meses, o tempo de um emprego, o período de uma relação. A sequência de perguntas não muda.
A IA vai me dizer se eu evoluí?+
O molde pede o contrário de um balanço motivacional: para cada mudança afirmada, ele exige a prova em comportamento concreto, e proíbe fechamento inspirador. É mais desconfortável e mais útil.